Samba Feed – As 13 vezes em que a Literatura e a Língua Portuguesa passaram como enredo pelo Sambódromo

A temática literária já passou muitas vezes pela passarela do samba, homenageando grandes nomes como Machado de Assis e Guimarães Rosa, mostrando que literatura pode e deve vestir a cara do Carnaval. Essa relação entre a literatura e as escolas de samba passou a ser feita com a exigência de temáticas nacionais nos enredos, que ocorreu a partir da década de quarenta e proporcionou, desde a época, um diálogo importante entre a cultura letrada e a cultura popular.

O Site Samba é Paixão listou 13 vezes em que o tema foi abordado no Carnaval a partir da era Marquês de Sapucaí.

O portal aproveita para fazer um agradecimento especial ao fotógrafo Wigder Frota que abriu seu arquivo pessoal e nos presenteou com imagens que contam histórias dos carnavais que clicou na Marquês de Sapucaí.

Confira:

Estação Primeira de Mangueira 1987 – “O Reino das Palavras”
Carnavalesco: Julio Matos
Poeta, contista e cronista brasileiro, considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX Drummond foi enredo da Estação Primeira de Mangueira no ano de 1987 levando a agremiação ao bicampeonato. Um dos principais poetas da segunda geração do Modernismo brasileiro, faleceu meses antes da homenagem na Verde e Rosa.

Foto: Acervo O Globo

Império Serrano 1989 – “Jorge Amado, Axé Brasil”
Carnavalesco: Oswald Jardim
Em 1989, o Império Serrano encerrou o Carnaval de 89 com uma bela homenagem a Jorge Amado. Com Silvinho do Pandeiro no microfone pela primeira vez na escola, e pela última vez num desfile, o Império fez um passeio pelos romances do escritor e aspectos típicos da cultura baiana, e passou bem, porém amargou a 10º posição do “Grupo 1”, atual Grupo Especial.

Foto: Cezar Loureiro/Acervo O Globo

Beija-flor 1991 – “Alice no Brasil das Maravilhas”
Carnavalesco: Joãosinho Trinta
Obra infantil mais conhecida de Charles Lutwidge Dodgson e uma das mais célebres do gênero literário nonsense foi vista no desfile da Beija-Flor como uma crítica social ao que vinha acontecendo no país. Numa analogia entre a famosa história infantil “Alice no País das Maravilhas”, Joãozinho Trinta criou “Alice no Brasil das Maravilhas”. A agremiação acabou não repetindo as excelentes apresentações dos anos anteriores e ficou em 4º lugar.

Foto: Wigder Frota

Estácio de Sá 1998 – “Cem Anos de Cultura – Academia Brasileira de Letras”
Carnavalesco: Silvio Cunha
Uma mudança no regulamento marcou a fase pré-carnavalesca de 1998: o julgamento teria mais jurados, subindo de quatro para cinco por quesito. Seriam descartadas a menor e maior notas de cada quesito na apuração. Desfilando pela Série A, a Estácio de Sá obteve a oitava colocação no ano de 1998, quando preparou uma homenagem aos 100 anos da Academia Brasileira de Letras e por pouco não foi rebaixada.

Unidos da Tijuca 2002 – “O sol brilha eternamente sobre o mundo de língua portuguesa”
Carnavalesco: Milton Cunha
Acreditando que através do desfile contribui para o quadro cultural do Brasil, a Unidos da Tijuca decidiu homenagear o Mundo de língua Portuguesa e prestar um tributo ao nosso idioma mostrando sua beleza, diversidade e abrangência mundial. Não apenas num sentido histórico, mas também em visão carnavalizada deste mundo. O desfile não foi um dos melhores apresentados pela escola do Borel que alcançou o 10º lugar do Grupo Especial.

Foto: Acervo O Globo

Imperatriz Leopoldinense 2005 – “Uma delirante confusão fabulística”
Carnavalesco: Rosa Magalhães
Apresentando um enredo sobre as histórias infantis do dinamarquês Hans Christian Andersen, em homenagem aos 200 anos de nascimento do escritor, a Imperatriz Leopoldinense desfilou fábulas infantis pela Marquês de Sapucaí com a premiada carnavalesca Rosa Magalhães que tem como sua marca desfiles impecáveis e detalhistas. A agremiação foi a 4ª colocada do Grupo Especial.

Foto: Wigder Frota

Estação Primeira de Mangueira 2007 – “Minha língua é minha pátria, Mangueira, meu grande amor. Meu samba vai ao Lácio e colhe a última flor”
Carnavalesco: Max Lopes
Prometendo dar uma verdadeira aula de Português em verde e rosa na Sapucaí, a Estação Primeira de Mangueira desfilou abordando todas as influências que o idioma sofreu até chegar à atual versão brasileira. A apresentação exaltou também a Semana de Arte Moderna de 1922, que representou uma renovação da linguagem e uma ruptura com a perfeição estética do século 19. A agremiação obteve a terceira colocação.

Foto: Wigder Frota

Mocidade Independente de Padre Miguel 2009 – “Mocidade apresenta: Clube Literário Machado de Assis e Guimarães Rosa, estrelas em poesia”
Carnavalesco: Cláudio Cebola
A Mocidade desfilou contando sobre a vida de dois dos maiores escritores da literatura nacional: Machado de Assis e Guimarães Rosa, mas antes mesmo de entrar na Avenida já enfrentava graves problemas. Ainda na concentração, o carro abre-alas da escola começou a pegar fogo. Um dos integrantes da escola subiu na alegoria para tentar apagar, mas acabou caindo. O fogo na alegoria foi controlado e apagado logo em seguida, mas o carro ainda protagonizaria outro episódio lamentável. Cláudio Cebola, carnavalesco da escola, foi atropelado pelo abre-alas. A agremiação da Vintém acabou em 11º lugar escapando por pouco do rebaixamento.

Foto: Wigder Frota

Acadêmicos do Salgueiro 2010 – “Histórias sem fim”
Carnavalesco: Renato e Márcia Lage
Com a moral em alta devido ao campeonato do ano anterior, a escola viveu momentos de grande alegria. Para tentar o bicampeonato, os carnavalescos e a Diretoria Cultural desenvolveram o enredo “Histórias Sem Fim”, sobre as grandes narrativas imortalizadas nos livros, desde Gutemberg, passeando pelos diversos gêneros literários. Mas o desfile não foi dos mais felizes. A escola optou por um samba muito aquém para uma escola que tentava conquistar o campeonato. Na pista, o Salgueiro teve problemas de evolução no final do desfile, que não empolgou. A agremiação teve que se contentar com a quinta colocação.

Foto: Wigder Frota

Imperatriz Leopoldinense 2012 – “Jorge Amado Jorge”
Carnavalesco: Max Lopes
Exaltando o centenário de Jorge Amado, um dos maiores escritores da literatura brasileira, na Avenida. A Imperatriz levou para a Avenida alguns traços da Bahia, que o autor tanto cita em suas obras. O enredo também fez referência à Lavagem do Bonfim e ao carnaval baiano, eventos populares no estado, além de mostrar um pouco das obras de Jorge Amado, passando por “O País do Carnaval”, seu primeiro livro, e sucessos como “Tieta”, “Dona Flor e seus dois maridos” e “Capitães de Areia”, sem deixar de fora suas histórias infantis. “Muita pouca gente sabe que Jorge Amado escreveu também sobre criança”. A agremiação alcançou a 10 ª colocação.

Foto: Wigder Frota

Unidos do Viradouro 2012 – “A vida como ela é, bonitinha, mas ordinária… Assim falou Nelson Rodrigues”
Carnavalesco: Alexandre Louzada
Jornalista, cronista e escritor que retrata o cotidiano da vida humana sem esconder os fatos, Nelson Rodrigues foi enredo da vermelha e branca de Niterói no ano de 2012. Personagens do cotidiano, como vizinhas na janela e pierrôs de Carnaval, assim como paixões nacionais: o futebol, com fantasias dos times cariocas, da seleção brasileira e outras retratando os estádios foram algumas características grande tributo a Nelson. A agremiação alcançou o 5º lugar da Série A.

Foto: Wigder Frota

Unidos de Padre Miguel 2015 – “O cavaleiro amordial mandacariza o carnaval”
Carnavalesco: Edson Pereira
A Unidos de Padre Miguel fez uma homenagem a Ariano Suassuna morto poucos meses antes do desfile. A vermelho e branco da Zona Oeste do Rio mostrou como vencer as adversidades entre cores, cantos e alegrias. O carnavalesco quis mostrar que a pobreza pode ser rica e que a riqueza pode ser miserável através do Movimento Armorial, uma espécie de arte erudita, com traços da cultura nordestina, como o repente e as xilogravuras. A escola foi a vice-campeã da Série A.

Beija-flor 2017 – “ A virgem dos lábios de mel – Iracema”
Carnavalesco: Comissão de Carnaval
A Beija-flor apresentou este ano um enredo inspirado por um clássico da literatura brasileira: “Iracema, a Virgem dos lábios de mel”, de José de Alencar em uma apresentação com inovações como a divisão da escola por setores, e não alas, como acontece tradicionalmente. Terminou em 6º lugar por conta da incompreensão da proposta da escola. O excesso de fantasias parecidas (índios) também foi responsável por perda de décimos importantes para a azul e branca.

Foto: Wigder Frota

Santa Cruz 2017 – “Vou levar somente o que couber no bolso e no coração… Uma viagem da sabedoria além da imaginação”
Carnavalesco: Lane Santana, Munir Nicolau e Wladimir Morellembaum
Homens de lata, príncipes, anões e bonecas brincaram com a Santa Cruz no Carnaval 2017, ano em que a escola faz uma homenagem a Monteiro Lobato e conta a história da literatura infantil. Como não podia deixar de ser, várias alas da escola representavam personagens de estórias infantis proporcionando uma verdadeira viagem através dos livros. Personagens do clássico ‘O Mágico de Oz’ e do Sítio do Pica-Pau Amarelo também estiveram presentes, no entanto a agremiação acabou a apuração amargando o 12º lugar da Série A.

Foto: Wigder Frota