MARCOS ROZA AJUDA EQUIPE DE CRIAÇÃO COM INFORMAÇÕES HISTÓRICAS

By at setembro 30, 2009 | 11:04 | Print

Compartilhe

ENREDO CONTARÁ A HISTÓRIA DA MÚSICA BRASILEIRA A PARTIR DA BOSSA NOVA

O enredo da Mangueira para 2010 conta a rica história da música brasileira desde a Bossa Nova, período em que a verde e rosa influenciou a produção nacional com os sambas criados no morro. Mostrar essa relação ao público da Sapucaí não é tarefa apenas para carnavalescos. Antes de entrarem ação, uma figura se debruçou sobre livros, discos e reportagens para colocar no papel o que vai virar alegorias e adereços na Avenida: foi o historiador e pesquisador de enredo Marcos Roza, responsável pela elaboração da sinopse – uma espécie de resumo com o detalhamento do desfile – entregue à Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Pioneiro no assunto, o especialista foi contratado para reforçar a equipe de criação da Estação Primeira com subsídios e informação. Cada paetê, é bom lembrar, deve estar relacionado à história que a escola pretende contar.

“Eu monto um histórico do enredo, que é a referência para o desenho de todo o projeto plástico, escrevo a sinopse para orientar os compositores e defendo o enredo para os jurados. É todo um coletivo integrado ao trabalho. O conteúdo que eu forneço é usado por muitos outros profissionais: figurinista, decorador, ferreiro, aderecista…”, explica Marcos.

É o oitavo carnaval de Marcos Roza na Mangueira, à qual atribui a sua “projeção” para o mercado em 2002, quando participou do enredo campeão “Brasil com Z é pra cabra da peste, Brasil como S é nação do Nordeste”. No mesmo ano, destacou-se pela contribuição a outro grande enredo, “O Grande Circo Místico”, na Mocidade Independente de Padre Miguel, e em 2006, com “O Império do Divino”, do Império Serrano. Hoje, é um dos principais pesquisadores de enredo do carnaval carioca, tendo trabalhado com quase todos os carnavalescos, com exceção de Rosa Magalhães e Milton Cunha.

“Comecei esse trabalho em 1997, como aderecista da Unidos de Vila Isabel. Formei pesquisadores para o mercado, e todos que trabalham nessa área hoje passaram direta ou indiretamente por um estágio comigo”, conta Marcos, orgulhoso.

E mais uma vez ele capricha para levar à Apoteose um carnaval à altura da verde e rosa. O enredo “A Mangueira é música do Brasil” foi dividido em cinco partes para marcar as fases mais importantes dos últimos 51 anos da música brasileira. A primeira parte é uma exaltação à Estação Primeira e aos seus sambas-enredos memoráveis, na qual a escola proclama versos de Cartola, Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Padeirinho, Hélio Turco e Tantinho e dos mangueirenses mais recentes: Alcione, Beth Carvalho, Leci Brandão, Emílio Santiago, Rosemary e muitos outros.

“São sambas e canções que inspiraram gerações e gerações de cantores e compositores a cantarem e a comporem lindas canções que enaltecem o manto verde e rosa da Estação Primeira de Mangueira. A partir dessas canções, músicos como Chico Buarque, por exemplo, cantaram e encantaram o mundo inteiro”, valoriza Marcos.

O setor seguinte conta a história da música brasileira a partir de 1958, quando João Gilberto inventou a batida da Bossa Nova. O novo estilo foi escolhido como ponto de partida do enredo, explica Marcos, por projetar a música nacional internacionalmente. Músicos do mundo inteiro gravaram as composições bossa-novistas.

“Escolhemos a Bossa Nova como marco zero sem desmerecer a riqueza musical do passado, os primeiros versos do samba, o choro e a música clássica”, esclarece o historiador.

No terceiro setor, a Mangueira mostra outro marco, a Jovem Guarda, que explode em 1965 com uma musicalidade mais romântica e ingênua que mobiliza o país. No setor adiante, é a vez dos festivais da canção, quando a sigla MPB passa a identificar a música popular brasileira e rompe com o regionalismo para se projetar nacionalmente. O desfile mostra os vários festivais, desde o primeiro, em 1965, quando vence a composição de Vinicius de Moraes Arrastão, interpretada por Elis Regina. Essa etapa também fala da Tropicália, surgida em 1968, com Caetano Veloso cantando Alegria, Alegria e Gilberto Gil Domingo no Parque, e das canções de protesto, feitas nas barbas da ditadura militar.

“Essa parte do desfile cita as canções que driblavam de forma ativa os rigores da censura e termina com o último festival da era, já nos anos 80, com a incorporação da música erudita e de vanguarda, do reggae e do funk na interpretação antológica de Demônio colorido por Sandra de Sá”, detalha o pesquisador de enredo.

No quinto setor, o rock Brasil mostra a sua cara. É o período do New Wave, o aparecimento de diversas bandas no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Brasília eno Rio Grande do Sul. Surgiram a Blitz, o Paralamas do Sucesso, o RPM, a Legião Urbana, o Ultraje a Rigor, os Titãs, o Barão Vermelho… No sexto setor o Brasil transcende. É o que Marcos chama de “canto de todos os cantos”: o sertanejo, o baião, o carimbó e o eletrônico. Um pot-pourri das várias expressões musicais do país. Por fim, no último setor a Mangueira é a voz do samba e do gueto com o samba-reggae, o olodum, o ileaiê, o mangue beat e a experiência socioeducativa do AfroReggae, a expressão do Funk’n’ Lata e o hip hop, o som da galera. As últimas homenagens são às cinco escolas que já homenagearam a Mangueira, entre elas a Imperatriz Leopoldinense e Portela, e ao saudoso Jamelão.

“Cinco escolas vão ser representadas, seja em um carro, enredo ou setor. Já o Jamelão virá como o ‘grande rei’ no último carro. Este setor vai reafirmar que a Mangueira é música do Brasil”, empolga-se Marcos.

Notícias

Related Posts

Poste seus comentários.