Alegria da Zona Sul

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G.R.E.S. Alegria da Zona Sul

Fundação: 28.06.1992
Cores: Vermelho e branco e ouro
Símbolo: Zé Carioca e Panchito
Quadra: Rua Saint Roman, 176 – Estrada do Cantagalo – Copacabana – RJ
Barracão: Rua Equador, 250 – Santo Cristo – RJ
Telefone: (quadra) (21) 2233-2611 (barracão)
Site: www.gresalegriadazonasul.com.br
Imprensa:  Geissa Evaristo

Presidente: Marcus Vinícius C. de Almeida

Enredo: “OS SALTIMBANCOS”

Carnavalesco: Eduardo Gonçalves

Diretor (es) de Carnaval: Flavio Mello
Diretor (es) Harmonia: André Valle
Comissão de Frente: Patrik Carvalho
Diretor de Bateria: Claudinho Tuiuti
1º Casal de mestre-sala e porta bandeira: Feliciano e Naninha
Rainha de Bateria:
Madrinha de Bateria:
Intérprete: Edmilton Di Bem

Enredo: “OS SALTIMBANCOS”

Em uma fazenda bucólica de uma cidadezinha calma do interior, vivia um jumento, pobre jumento, só vivia para o trabalho. No seu lombo carregava a horta, compras do armazém, água para o poço e tudo mais que tinha e o que seu patrão queria que ele carregasse. Era um jumento de carga, maltratado pelo dono, um fazendeiro inescrupuloso e brigão. Um belo dia, o jumento resolve fugir para realizar o sonho de ser músico, artista reconhecido, famoso sim e por que não?

O jumento pega sua maleta, sua trouxinha de roupas e ganha a estrada. No caminho encontra um cachorro, que também fugia de outra fazenda, dos maus tratos do seu dono. Mais adiante encontram uma gata, que queria ser livre, pois já que havia nascido pobre, não abria mão de ser livre, leve e solta! Andando um pouco mais encontram uma galinha que também havia fugido do galinheiro para não virar almoço de domingo. Dessa forma, os quatro animais formam um grupo de amigos inseparáveis : o paciente e tolerante jumento, o cachorro amigo e leal, a gata malandra e esperta e a galinha teimosa e inquieta.

Eles fugiram dos seus donos fazendeiros pelo mesmo objetivo, o de conquistarem a liberdade, e de não ficarem mais explorados no trabalho diário da fazenda. Eles fugiram em busca do sonho de serem músicos famosos e terem os seus direitos de expressão naturalmente, como devem ser com todos os seres vivos.

“Alô, liberdade levante, lava o rosto, fica em pé. Como é, liberdade …vou ter que requentar o teu café. Bom dia, alegria. A minha companhia vai cantar, em doce harmonia – Pra te alegrar”.

Assim os quatro bichinhos amigos caem na estrada deixando pra trás os seus donos, e os maus tratos, levando com eles, a esperança de dias melhores e a busca da felicidade. Os amigos artistas saem em caminhada pela estrada e vão seguindo o destino incerto e juntos seguem a sua trajetória em busca do sonho e do sucesso.

No caminho, depois de muito andarem chegam a uma casa colorida, espécie de hotel fazenda, que tem o nome de “Pousada do Bom Barão”, o lugar ideal para eles pararem e descansarem um pouquinho. Logo que chegam à frente da tal pousada, observam que há uma placa na porta e, nela está escrito, “proibido a entrada de animais”.

Os amigos, muito cansados, resolvem abrir a porta desobedecendo a placa. Nesse momento, eles se surpreendem, pois dentro da casa estavam os seus ex-donos. Os maldosos os avistam e saem correndo para mata, porém o medo e covardia dura pouco, eles se juntam e descobrem que juntos os verdadeiros amigos são fortes e põe os seus donos fazendeiros para correr…

“Uma gata, o que é que tem? – As unhas. E a galinha, o que é que tem? – O bico. Dito assim, parece até ridículo, um bichinho se assanhar… E o jumento, o que é que tem? – As patas. E o cachorro, o que é que tem? – Os dentes. Ponha tudo junto e de repente vamos ver o que é que dá. Junte um bico com dez unhas, quatro patas, trinta dentes, e o valente dos valentes, ainda vai te respeitar.”

Os bichos amigos provam que a união faz a força e se você tem uma qualidade, por mais frágil que ela seja, quando se junta com outra e mais outra e outra mais, se torna forte tão forte que enfrenta tudo de ruim e de dificuldade que possa aparecer.

“Todos juntos somos fortes, somos flecha e somos arco. Todos nós no mesmo barco, Não há nada pra temer – Ao meu lado há um amigo, que é preciso proteger. Todos juntos somos fortes, não há nada pra temer!”

“O animal é tão bacana, mas também não é nenhum banana” Assim eles expulsam e botam pra correr os seus ex-donos…

Saindo da “Pousada do Bom Barão”, os amigos continuam o caminho para o sucesso, passa dia e passa noite, campos de flores, campos de girássois, estradas com setas que indicam : “sigam em frente”, “vire a direita”, “dobre a esquerda”, “não volte para trás”!

Sol e lua, dia e noite, até que enfim finalmente chegam a uma cidade, seria ali a cidade do sucesso? Seria a Hollywood tão sonhada? E os bichos começam a sonhar com uma cidade ideal imaginária:

“Cachorro: A cidade ideal de um cachorro, tem um poste por metro quadrado, não tem carro, não corro, não morro e também nunca fico apertado. Galinha: A cidade ideal da galinha, tem as ruas cheias de minhocas. A barriga fica tão quentinha, que transforma o milho em pipocas. Gata: A cidade ideal de uma gata, é um prato de tripa fresquinha.Tem sardinha num bonde de lata, tem alcatra no final da linha. Jumento: Jumento é velho e velho é sabido e por isso já está prevenido. A cidade é uma estranha senhora, que hoje sorri e amanhã te devora!!”

E o velho e sábio jumento, estava certo… na cidade só haviam prédios, carros, pessoas correndo, camelôs desajustados, engraxates desparafuzados, luzes neon que apagam e ascendem em todo momento. Ruídos, sons, barulhos e fumaças, sinos que tocam de aparelhos que os bichos nuncam pensaram que existissem : celulares, Iphones, Ipodes, matemática, informática, cidade caótica, cidade neurótica, cidade dramática.

Violência era mais parecida com a cara dos fazendeiros patrões, ela era feia, sem dente, sem dó e que corria atrás dos bichinhos por ruas e viadutos como um pesadelo sem fim. Coisa igual nunca tinham visto! Eles descobrem que não seria ali, o lugar dos seus sonhos, não seria na cidade grande que os bichos amigos conheceriam o sucesso! Nessa fabulosa Xanadu o brilho é de mentira, como paetês que imitam diamantes nas fantasias de carnaval.

“Ói nós aqui, ói nós aqui. Hollywood fica ali bem perto, só não vê quem tem um olho aberto! Camelôs, malucos e engraxates. Aproveitem enquanto o sonho é grátis! Quem há de negar, que é bom dançar, que a vida é bela neste fabuloso Xanadu…Eu só tenho medo, de amanhã cair da tela, e acordar em Nova Iguaçu!”

Os bichos mais uma vez unidos, saem da cidade e voltam para estrada, caminham por mais uns dias, até que finalmente encontram um paradeiro. É uma lona colorida de circo ou é um circo colorido no meio da estrada? Tá certo, é meio mambembe, é meio pobrinho sim. Mas é lá nesse circo, que abriga vários artistas de rua e outros animais, que os bichos finalmente encontram o seu lugar. É lá que o jumento, o cão, a gata e a galinha são reconhecidos profissionalmente e vivenciam o verdadeiro sucesso!

Assim eles ficam felizes, num lugar humilde, mas colorido, com luzes fraquinhas de pisca-pisca, mas que lembram um céu lindo de estrelas luminosas! É nesse circo, que os bichos vão viver, trabalhar e conhecerem o sucesso, sempre tendo como filosofia de vida a união, a amizade, o cooperativismo, e a tolerância que são a base para se ter uma vida feliz! Esse enredo foi inspirado no conto dos irmãos Grimm “Os Músicos da cidade de Bremen”, que narra a história do encontro de quatro animais (um jumento, um cachorro, uma galinha e uma gata), que devido a maus tratos, fogem de seus patrões.

Juntos decidem formar um grupo musical e rumam à cidade para começar a carreira artística. O conto ficou famoso no Brasil com montagem histórica teatral em 1977, no Canecão, com texto de Luiz Enriquez Bacalov e Sérgio Bardotti, as músicas foram escritas por Chico Buarque de Hollanda e direção de Pedro Cardoso. A peça teve como elenco de estréia Marieta Severo (a gata), Miúcha (a galinha), Pedro Paulo Rangel (o cachorro) e Grande Otelo (o burro).

Essa obra originou ainda um disco, lançado em 1977, e com participações de Nara Leão, MPB-4 e Chico Buarque.Em 1981, Os Trapalhões lançaram também sua versão, Os Saltimbancos trapalhões.Lançado em plena ditadura militar, na vigência do AI-5, ainda é de se estranhar que a censura tenha liberado essa história revolucionária, que ensina que os subjugados podem modificar a situação se conseguirem ficar unidos. Anos mais tarde, na versão para o cinema estrelada por Renato Aragão – ‘Os Saltimbancos Trapalhões’, Chico Buarque aproveita para abordar a situação do artista circense e do artista de rua.

Assim, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Alegria da Zona Sul traz para avenida dos desfiles no seu carnaval, um enredo lúdico, ingênuo, mas não deixando de ter um cunho sócio político, pois é uma metáfora dos operários, que escapam do sistema assalariado, no caso dos bichos e que se juntam a um circo aonde vão trabalhar unidos e ganhar o próprio dinheiro. Todos trabalham e podem ser mais felizes, sem a repressão dos seus donos ou patronos, pois é no circo que eles encontram o sucesso e a liberdade de expressão.

É um alerta, para que devemos fazer o que gostamos na vida, sem vivermos reprimidos ou escravizados a valores que não acreditamos. Vivendo o dia a dia cada bicho vai se descobrindo e reconhecendo os seus defeitos e fazendo com que os seus talentos modifiquem a sua vida. Dessa forma, juntos eles são fortes e vencem a fúria dos seus donos – “patrões”. É um exemplo de vida, de como devemos agir no nosso cotidiano. Podemos usar essa lição no carnaval e por que não? Unidos combateremos a má intenção dos equívocos que acontecem nos bastidores da cena carnavalesca. Sim, nós fortes conseguiremos.

Deixe a sua imaginação te levar e viaje com o nosso enredo para o seu mundo de pureza que ficou lá pra trás, num passado que está mais próximo do seu coração que você possa imaginar.

Solte a bicharada…Vamos nos divertir bicharada. Vamos brincar nesse carnaval!

Solte-se dos seus preconceitos de “donos patrões” e vistam-se com as fantasias dos bichos que sonham com o sucesso e pregam que só com a união e a amizade verdadeira, se vence na vida! Vamos fazer o mesmo com o nosso carnaval!! Venha diverti-se com o nosso imaginário, sambe, sonhe, cante, mas não deixe de lutar por sua liberdade na vida.

Salve a arte pura e ingênua do artista popular brasileiro!

Autor e pesquisa do enredo Eduardo Gonçalves Enredo para Maria Augusta Rodrigues, a mestre do lúdico, e para o eterno mestre das cores Oswaldo Jardim. Dedico esse enredo também aos queridos saltimbancos: Ana Beatriz Genúncio, André Rodrigues, Bia Cavalcanti, Carlos Feijó, Edu Nunes, Fabio Fabato, Felipe Ferreira, Fernando Peixoto, Flavio Mello, Gustavo Melo, Lucas Vagner, Lucinha Nobre, Luis Fernando Reis, Marcos Capeluppi (BTU), Rafael Gonçalves, Roberto Vilaronga, Rogério Rodrigues, Tânia e Renato Índio do Brasil, Tatiana Ribeiro, Paulo Menezes, Paulo Renato, Vitor Saraiva, Wanyr Júnior, William Pedroso e à todos que durante esse inicio de ano de 2011, torceram e torcem pelo meu trabalho na avenida dos desfiles e que ainda acreditam que podemos sim, fazer carnaval com pequenos fragmentos de sonhos…água mole em pedra dura…

Eduardo Gonçalves